Ela tem olhos de céu – Socorro Acioli [Vencedor do Prêmio Jabuti 2013 de Livro Infantil]

43_olhosA primeira vez que li esse livro, ainda antes de vê-lo impresso, fiquei apaixonada por essa história ao mesmo tempo melancólica e cheia de humor, contada em versos por Socorro Acioli e ilustrada maravilhosamente por Mateus Rios. Trata-se da história de Bastiana, uma menina que comanda o clima de sua cidade conforme suas emoções. Se está bem, faz sol. Se chora, o céu chora junto. Em Santa Rita do Norte (talvez uma referência à santa que faz florescer o que está seco) o povo sofre com a falta de chuva e logo que Bastiana nasce, já traz com seu choro uma tempestade.

“Quanto mais ela chorava
Mais o céu escurecia”

Se de início o acontecimento parece uma benção, com o tempo vai se tornando um fardo para a moça e a família, já que as pessoas vão querer usar Bastiana conforme suas necessidades de estiagem ou chuva. E ao descobrir o que a faz chorar e o que a faz feliz vão assim manipulando suas lágrimas, tirando-lhe a paz, o que culmina com a tentativa de expulsá-la da cidade.

Essa bela aventura de cordel não tem um final típico do gênero e talvez aí eu esperasse algo mais dentro do padrão, com o problema de Bastiana mais resolvido, por exemplo, ou mesmo prolongado por um grande amor – o que é apenas indicado como possibilidade na história. Também não há um padrão rigoroso no número de sílabas dos versos, o que dá uma leve rasteira no ritmo poético aqui e ali, mas nada que comprometa o poema como um todo. O diálogo entre Acioli e Rios, no entanto, foi perfeito: os dois trabalham muito bem a dualidade do sol e da chuva, do marrom e do roxo, do seco e do molhado, do feliz e do triste.

No mais, um lindo livro para todas as idades e um prêmio mais do que merecido a uma autora que ainda vai dar muito o que falar na Literatura Brasileira.

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Peter e Wendy – J.M. Barrie

18_peterPeter e Wendy não parece ser um livro que muita gente tenha lido, apesar de todos conhecerem a história através de adaptações. Mesmo na infância, nunca me senti empolgada com os personagens e sua aventura na Terra do Nunca. Mas como recentemente histórias infantis têm me chamado (mais ainda) a atenção, não resisti a essa bonita edição da Cosac Naify, em que a sobrecapa se transforma em luminária.

Ler a obra original não me fez mudar muito de idéia com relação aos personagens, ainda que eles sejam bem construídos por Barrie. Peter tem todas as virtudes e defeitos da infância exacerbados, e isso o deixa ora muito divertido, ora muito desagradável. Já Wendy é uma espécie de não-criança, pois toda sua energia é voltada pra fantasiar que é adulta. A vida deles na Terra do Nunca é fazer de conta que são pais dos Garotos Perdidos, como se brincassem de casinha. O papel de Peter se divide em outros, pois além disso ele é amigo, herói, líder. Mas Wendy é apenas uma frágil mãe, com funções domésticas, incapaz de atos de bravura, servindo apenas para confortar meninos carentes de amor materno.

O que mais me envolveu na obra foi ver como as crianças são retratadas de uma maneira realista, sem aquela chata romantização de que elas seriam anjinhos: o Pan de Peter parece apontar para um estágio onde a moral ainda não foi construída, um mundo de natureza pura, com espaço tanto para a inocência quanto para a crueldade, a violência e o egocentrismo:

“Afinal, as crianças estão sempre prontas, quando uma novidade se oferece, a abandonar as pessoas de que mais gostam.”

Se existe alguma romantização da infância no livro é no ponto em que ela é mostrada como um mundo mágico onde tudo é possível, inclusive poder voar, mas no fundo é isso mesmo que acontece com a imaginação infantil e isso só funciona por muito tempo para Peter, pois todas as outras crianças acabam escolhendo crescer. Por mais que a infância tenha suas vantagens, nós geralmente só nos damos conta delas depois de grandes.

A narrativa de Barrie é outro elemento de muito valor em Peter e Wendy. Não sei se porque o livro foi escrito com base em sua peça de teatro, mas a interação com o leitor é contínua, trazendo-o para dentro da obra, permitindo que ele participe do rumo da história e ao mesmo tempo antecipe o que vai acontecer, gerando expectativa. É um texto gostoso de ler, com várias camadas de significado, servindo tanto para adultos como para crianças, especialmente para adultos que têm crianças ou que sentem nostalgia de sua própria Terra do Nunca.

Laranja Mecânica – Anthony Burgess [Fórum Entre Pontos e Vírgulas Fev/2013]

09_laranja01Este texto participa do Fórum Literário Entre Pontos e Vírgulas, que tem como leitura do mês o livro Laranja Mecânica, de Anthony Burgess. Como é voltado para pessoas que leram o livro, contém revelações sobre o enredo.

Todos nós somos seres orgânicos que agem através de escolhas morais, mas nos tornamos máquinas quando somos condicionados, nos tornamos algo como uma laranja mecânica. Essa é a grande proposição do livro de Burgess, que defende o livre-arbítrio como uma condição essencial do ser humano.

E ele faz isso nos contando a história de Alex, um adolescente viciado em violência e música clássica, odioso e carismático ao mesmo tempo, que com sua gangue de druguis sai à noite para praticar todos os tipos de violência extrema, mas não sem antes tomar seu leite batizado com drogas. O grupo tem uma linguagem própria, o nadsat, e durante a leitura vamos nos familiarizando com esse vocabulário – muito embora às vezes o glossário no final do livro ajude em alguns termos.

Na primeira parte da obra somos testemunhas de alguns terríveis atos do grupo, até o ponto em que Alex é preso por assassinar uma senhora. É só então na segunda parte que começa a primeira fase de punição: sua vida na prisão. Sua amizade com o capelão do local traz valiosas discussões sobre o livre-arbítrio ao conversarem sobre a possibilidade de Alex ser usado numa técnica de reabilitação, a técnica Ludovico, que o impediria de praticar o mal novamente e garantiria sua liberdade. O capelão argumenta que o processo o impediria de tomar decisões morais e que, portanto o deixaria sem alma:

“A questão é se uma técnica dessas pode realmente tornar um homem bom. A bondade vem de dentro, 6655321. Bondade é algo que se escolhe. Quando um homem não pode escolher, ele deixa de ser um homem.”

“Pode não ser bom ser bom, pequeno 6655321. Ser bom pode ser horrível. E quando digo isso a você, percebo o quão auto-contraditório isso soa. Eu sei que perderei muitas noites de sono por causa disso. O que Deus quer? Será que Deus quer bondade ou a escolha da bondade? Será que um homem que escolhe o mal é talvez melhor do que um homem que teve o bem imposto a si?”

Segundo ele, e é essa a defesa do autor, o mal existe em todos nós. O que nos define como uma pessoa boa ou má é a escolha ética que fazemos: escolhemos não praticar o mal, mas isso não quer dizer que somos bons. Ser impedido de fazer o mal também impede Alex de fazer o bem, pois anula o livre-arbítrio. O bem tem que ser uma escolha, e não um condicionamento que deixa o indivíduo programado para não cometer crimes:

“Ele será seu verdadeiro cristão – krikava o Dr. Brodsky –, pronto para dar a outra face, pronto para ser crucificado ao invés de crucificar, doente até a alma só de pensar em sequer matar uma mosca.”

A técnica usada em Alex, portanto, não teria a intenção primeira de torná-lo um sujeito bom, mas tão somente um sujeito controlado. Seria apenas uma manobra política, uma punição mais barata e eficiente que sustentá-lo na prisão, garantindo segurança à sociedade. Alex aceita participar da experiência porque no fundo ele não acredita que vai deixar de ser quem é e também porque está mais interessado em sua liberdade, mas no momento em que percebe que todas as coisas que lhe davam prazer não podem mais se realizar, descobre que se tornou um mecanismo, que perdeu sua humanidade:

“Será que eu serei apenas uma laranja mecânica?”

A última parte do livro tem quase um tom de fábula porque Alex se reencontra com todo o seu passado e sofre sua segunda fase de punição, vinda de várias pessoas a quem fez mal, sem poder se defender. Nesse ponto fica claro que o autor defende que nenhuma maldade que Alex tenha feito pode ser pior do que a que ele sofre, já que ele teria sido castrado naquilo que o faz humano, que é a sua escolha, seu livre-arbítrio.

No final, também por motivos políticos, Alex volta a ser o que era e é claro que volta a praticar crimes, mas em determinado momento se vê cansado da vida que leva e passa a desejar uma vida mais adulta. Nesse ponto percebemos que Burgess acredita que a falta de maturidade de Alex (ou dos jovens, em geral) é que o levaria a cometer todos aqueles atos violentos e que chegando a determinado ponto de sua vida, esses atos passariam a não fazer mais sentido.

A única coisa que me incomodou nesse final foi que em nenhum momento anterior na história do personagem ele faz qualquer reflexão que ponha em questão seus atos: para ele a violência dá prazer e ele a pratica porque deseja. Talvez por isso o último capítulo tenha um tom muito diferente do resto do livro: a redenção de Alex através da música seria, apesar de mais óbvia, mais convincente para mim, afinal não são apenas adolescentes que praticam crimes. No entanto, comparando com a versão americana do livro e com o filme de Kubrick, que ignoram o último capítulo, é melhor que haja algum tipo de redenção que nenhuma, do contrário a proposta do autor de demonstrar que não somos bons nem maus, que nossas escolhas flutuam, não se aplicaria a Alex, e ele se tornaria a própria encarnação da maldade.

Isso não tira o mérito da adaptação cinematográfica que, com exceção do final, foi extremamente fiel ao livro e encontrou soluções geniais para deixar a história ainda mais simbólica e angustiante. Apesar de ter vida própria enquanto filme, não deveria dispensar este incrível livro em que foi baseado.
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Dois infantis de Neil Gaiman

Neil Gaiman é daqueles autores que mesmo quando faz um trabalho apenas razoável, ainda assim vale a pena. Não que seja o caso destes seus 2 livros infantis, que trazem deliciosas histórias cheias de humor e imaginatividade, passando longe do didatismo chato de muita coisa pra criança que vemos por aí.
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The Day I Swapped My Dad for Two Goldfish [O dia em que troquei meu pai por dois peixinhos dourados] é uma história engraçada sobre um garoto que, ao ver os peixinhos que o amigo acabou de ganhar, sugere-lhe uma troca bem inusitada: os peixes pelo indiferente pai, que tudo que faz é ler o jornal. Apesar dos conselhos da sábia irmãzinha, o garoto realiza a troca, mas em seguida terá que percorrer um longo caminho para reaver o pai. O resgate na companhia da irmã é muito divertido pois a cada momento o pai já foi trocado por outra coisa. O garoto é o narrador, e a história é contada como se ele a tivesse escrito, com seu próprio estilo e sua própria letra. As ilustrações de McKean, como sempre, são ótimas, mas desta vez, bem simples, acompanhando o texto como uma história em quadrinhos feita pelo narrador.
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Já em The Wolves in the Walls [Os Lobos dentro das Paredes] McKean fez algo bem mais especial para ilustrar a atmosfera um tanto assustadora criada por Gaiman. Assustadora porque lida com os medos de Lucy, que num momento de silêncio em casa, começa a ouvir um barulho vindo das paredes e tem certeza de que são lobos. Sua mãe lhe diz que não, seu pai lhe diz que não, e até seu irmão lhe diz que não, e todos têm uma explicação sobre a impossibilidade de haver lobos nas paredes, já que, segundo eles, se um dia os lobos começarem a sair das paredes, tudo estará acabado. Lucy é uma adorável menina questionadora, que não aceita argumentos genéricos só porque todos têm uma teoria lógica sobre o assunto. Tanto é que tinha razão: os lobos acabam mesmo saindo das paredes e sua família passa a morar no jardim. Enquanto todos estão pensando pra onde deverão ir, Lucy planeja voltar pra casa e enfrentar seus medos.

Dos dois livros, somente este último foi lançado aqui no Brasil, mas o primeiro tem uma linguagem bem simples e com certeza pode ser lido por uma criança que estuda inglês, especialmente com a ajuda dos pais.

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Sherlock Holmes [Volumes 1, 2 e 6] – Arthur Conan Doyle

Dizem que quando você queima uma etapa na vida ela volta mais tarde para te assombrar. Deve ser por isso que vez ou outra eu procuro livros que eu poderia ter lido na infância ou adolescência mas não o fiz. Quando entrei em minha primeira graduação eu tinha apenas 16 anos, e acabei me afastando de leituras juvenis e buscando livros mais sérios e acadêmicos. As histórias de Sherlock Holmes foram uma dessas coisas que pulei, mas sempre conheci um pouco de sua mitologia por causa de um jogo de tabuleiro dos anos 80 que eu adorava, o Scotland Yard, bem como através de filmes e inúmeras referências ao personagem que são inevitáveis.

Não faz muito tempo, uma edição definitiva da Zahar foi lançada e achei que seria legal finalmente conferir a obra. Contudo, trata-se de uma edição sherlockiana, isto é, com comentários voltados para aqueles fãs que brincam acreditar que Holmes e Watson realmente existiram. Há, ainda, notas complementares sobre costumes vitorianos e curiosidades enciclopédicas, mas uma boa parte das notas tem que ser lida com cautela por aqueles que nunca leram as histórias, pois muitas contém spoilers, às vezes até da própria história que você está lendo. Uma edição doyliana – que considera que o autor do cânone é Conan Doyle, e não Watson, e que se preocupa com o aspecto literário e histórico da obra –, seria mais interessante pra mim, mas foi tranqüilo ignorar algumas notas e apreciar a leitura e as ótimas ilustrações, especialmente as de Sidney Paget.

O primeiro volume, As Aventuras de Sherlock Holmes, traz histórias narradas por Watson em que ele participa ativamente das investigações de Holmes, numa época em que já não moram mais juntos, e tem como extra um texto que conta um pouco da história de Conan Doyle e a repercussão de seus livros. O segundo, As Memórias de Sherlock Holmes, contém tanto histórias de quando moravam juntos como de quando Watson já estava casado, mas também inclui algumas em que Watson é apenas ouvinte, de uma época em que ainda não se conheciam. O extra do segundo volume é um quadro cronológico que relaciona eventos históricos com a vida de Doyle, Holmes e Watson e serve também como guia para quem quiser ler os casos na ordem em que aconteceram.

Da parte de romances, por enquanto li apenas o sexto volume, Um Estudo em Vermelho, que é a primeira história da série, contando como Holmes e Watson se conhecem. Mais uma vez Watson é o narrador, porém no meio do livro surge um flashback narrado em terceira pessoa, com estilo de escrita um pouco diferente, para contar com pormenores a história do assassino em questão. Depois desta leitura aproveitei para ver uma versão dela modernizada no seriado Sherlock, da BBC: A Study in Pink. O episódio é apenas inspirado na história original, mas muito adequado ao público atual e bem divertido. Aqui um Watson melancólico escreve um blog contando suas aventuras com o detetive e Holmes é muito bem representado, com a medida certa de arrogância e carisma.

Até onde li, posso dizer que geralmente as histórias são divertidas, mas eu preferiria tê-las lido na adolescência, quando eu poderia me empolgar mais com elas. Não passam muito de uma leitura de entretenimento e não têm grandes efeitos literários, mas não vejo isso como um defeito, pelo contrário, esse tipo de aventura tem seus méritos e não é à toa que ainda hoje esses livros sejam lidos e retomados em tantas versões.

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Pedro e Lua – Odilon Moraes


Tinha uma pedra no meio do caminho de Pedro, mas não era bem uma pedra, era Lua. E assim começa uma história de amizade comovente que encanta pela simplicidade e poesia, mas também pela constatação de que não importa o quanto podemos amar alguém, ainda assim temos que viver o que temos que viver, seja seguindo o próprio caminho, seja esperando que caminhem conosco. O que sempre nos resta é pagar o preço da saudade.

Pedro e Lua é um livro para crianças, mas eu não resisto a um bom infanto-juvenil com belas ilustrações. Sem falar da capa, cujas estrelas acendem no escuro! Se sua criança interior cresceu mais que a minha, fica pelo menos a sugestão para um lindo presente.

Ah! E Feliz Dia Mundial do Livro!

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Contos de Lugares Distantes – Shaun Tan


Há certos livros que a gente sabe que vai gostar. Não é nem uma questão de criar expectativas, mas de ter uma intuição de que o livro já conversa com você antes de você começar a lê-lo. Esse livro de contos de Shaun Tan é um desses que ficou me chamando da estante, querendo ser lido urgentemente. Mal começo e já sei que ele é dos meus e que irá entrar no rol dos preferidos.

Shaun Tan conta suas histórias tanto (ou mais) pelas imagens quanto pelo texto escrito, ou melhor dizendo, suas imagens não são ilustrações simplesmente: muitas vezes é o texto que vai ilustrar a imagem. Algumas são pinturas extremamente simbólicas que parecem falar diretamente com nosso inconsciente, tornando-as difíceis de decifrar com palavras, como nos contos País Nenhum ou História do Vovô. Outras são mais simples e diretas, como em Faça seu próprio animal de estimação, em que o texto escrito toma a responsabilidade poética.

Os 15 contos são histórias de subúrbios, que bem poderiam ser de cidades pequenas, de lugares em que há muito espaço e pouca gente, muito tédio e pouca novidade. Esses lugares distantes possuem mais campo para deixar entrar o inusitado no cotidiano, tornando-o fantástico: um búfalo que aponta o caminho certo, uma vingança canina, um natal ao contrário, um dugongo na grama do vizinho… Não pelo efeito do inesperado, mas pela poesia que surge destas situações que sacodem a rotina e transformam a vida.

“Que sensação marcante e inominável é esta, que acontece bem no instante do salto: algo que parece tristeza e pesar, uma vontade súbita de ter seu presente de volta, agarrado ao peito, sabendo que certamente nunca o verá de novo. Então você se solta, deixando os músculos relaxarem, os pulmões esvaziarem, e no remanso da saudade permanece uma imagem às margens da memória: a imensa rena no seu telhado, fazendo uma reverência.”

Meus preferidos foram País Nenhum (um lugar secreto dentro de um lar), Ressaca (sobre abandono), Velório (impactante), História do Vovô (uma visão muito poética e bem-humorada sobre casamento) e Chuva ao Longe (o que acontece com os poemas que ninguém lê?). Para quem quiser conhecer melhor o autor, hoje saiu no blog da Cosac Naify um texto dele sobre seu processo criativo e de qual seria o papel das imagens nos livros ilustrados, vale a pena ler!

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Ode a uma Estrela – Pablo Neruda

A Cosac Naify de vez em quando faz umas promoções em sua loja e recentemente eu aproveitei para comprar alguns livros, dentre eles este infanto-juvenil, com poema de Pablo Neruda e ilustrações de Elena Odriozola.
É um livro muito bonito, com todo aquele cuidado de sempre que a editora tem, mas eu fiquei um pouco decepcionada pelo fato dele conter apenas um poema curto. Ainda que seja uma publicação para crianças e que o poema do Neruda seja realmente especial, foi meio frustrante consumir o livro em poucos minutos. Isso é que dá gostar de livro infantil.

O poema, que foi retirado do livro Odes Complementares, de 1957, conta a história de um homem que rouba uma estrela do céu e o transtorno que vira sua vida depois disso. Tentando manter o brilho da estrela só para si ele percebe que guarda algo que não pode possuir, algo que é maior do que pode suportar. As ilustrações dão uma dimensão bem melancólica à história e têm um tom quase cômico.

Desde que visitei as casas do Neruda, no Chile, eu fiquei interessada em sua obra, de que li apenas textos esparsos. Mas agora sinto-me na obrigação de procurar uma obra mais completa para realmente conhecer seu trabalho.

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Sete Vidas – Heloisa Seixas


Um livro delicado, de pisar manso e elegante, como são os gatos. São contos curtos (ou contos mínimos) que retratam o mundo felino de maneira doce e cotidiana, especialmente feitos por quem e para quem ama gatos. Ainda que eu seja uma elurofílica e tenha comprado o livro pelo tema e pelo preço que estava bom, confesso que abri pra ler achando que ia ser um tanto óbvio, que eu não teria surpresas.

Mas a minha (primeira) surpresa foi exatamente o fato dele ser óbvio e eu ter me surpreendido mesmo assim. Só quem percebe a beleza das coisas rotineiras pode entender isso e os gatos nos obrigam a perceber os detalhes mágicos de um simples espreguiçar. A idéia era ler um conto de cada vez, em alguma pausa entre uma tarefa e outra, mas aí é que veio a minha segunda surpresa: percebi, durante a leitura do primeiro conto, que eu abrira o livro exatamente no dia em que fazia 3 anos que meu gatinho tinha morrido. E como homenagem a ele, li o livro todo.

As histórias são quase não-histórias, descrevem mais sensações e impressões sobre a vida e as ilustrações são bacanas, seguindo o ritmo de elegância do livro. Bonito e simples, um bom livro para curtir um fim de tarde preguiçoso.

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