O escolhido foi você – Miranda July

interlunio55-escolhidoMiranda July é uma cineasta americana que, empacada com um roteiro em desenvolvimento, tenta encontrar outras formas de inspiração. Envolvida em perder um pouco de tempo na internet e folheando leituras aleatórias, ela acaba encontrando um ponto de partida ao ler um catálogo de anúncios de compra e venda, o Pennysaver. Um dos anúncios chama sua atenção: é alguém vendendo um casaco de couro por 10 dólares. Ela começa a se perguntar quem seria aquela pessoa, a história daquela jaqueta etc. então resolve ligar para ela e marcar um encontro, pagando-a pelo seu tempo. Ela descobre que o vendedor é Michael, um transexual idoso. A partir daí ela começa uma série de entrevistas com anunciantes do Pennysaver, tudo na missão de ajudá-la a compor sua história para o filme.

O escolhido foi você é um relato dessas entrevistas, ilustradas com as fotos dos participantes e dos objetos de venda. Mas mais do que isso, é sobre a própria Miranda July, sobre a escrita do roteiro do filme O futuro e sobre uma visão geral da vida profissional da autora. À medida que conta essas histórias, ela revela suas dificuldades com a escrita e outros momentos importantes de sua vida como escritora, como por exemplo, sua primeira peça, baseada na experiência de ter se correspondido, ainda adolescente, com um presidiário mais velho.

Miranda é muito autoconsciente de seus próprios privilégios e muito autocrítica, então ela mesma percebe o quanto essas entrevistas parecem tirá-la do seu ambiente mas ao mesmo tempo não vão fazê-la formar novas amizades, pois são pessoas com quem não tem nada em comum. E nem a intenção era essa, sua motivação é apenas coletar material humano para seu trabalho. O mais próximo que chega de uma real aproximação é o que tem com o último entrevistado (sem dúvida o entrevistado mais cativante), a ponto de ele acabar participando do seu filme.

Esse é um livro direto e honesto sobre encontros improváveis e o que se pode aprender com eles, mas infelizmente a autora não aprofundou suas conclusões ou reflexões sobre o que houve, e como a maioria das pessoas entrevistadas também não tinha muito a dizer, o leitor pode ficar com a sensação de que o que tem nas mãos é mais um álbum de figurinhas que um relato com conteúdo sobre composição artística.

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