Seu Ibrahim e as Flores do Corão [Trilogia do Invisível, parte 2] – Éric-Emmanuel Schmitt

O escritor francês Éric-Emmanuel Schmitt publicou alguns livros cujo tema principal são as grandes religiões do mundo e eles constituem uma série chamada Ciclo do Invisível, dos quais os três primeiros são conhecidos como a Trilogia do Invisível. Através de narrativas curtas, que remetem a fábulas ou mesmo a textos religiosos, o autor apresenta as religiões mediante histórias bem simples: Milarepa fala sobre o budismo tibetano; Seu Ibrahim e as Flores do Corão trata do islamismo místico e Oscar e a Senhora Rosa, do Cristianismo.

interlunio44-coraoSeu Ibrahim e as Flores do Corão
Nesta segunda narrativa o autor consegue dar bem mais corpo à história, que aqui nesse caso irá sintetizar o Islamismo, mais especificamente o Sufismo. Moisés, ou Momô, é um jovem judeu parisiense de 12 anos que, abandonado pela mãe e completamente desprezado e ignorado pelo pai, tem que se virar para encontrar algum carinho com as prostitutas da rua Paraíso e com as conversas com o árabe da rua Azul, Seu Ibrahim.

E é nessa amizade com Seu Ibrahim, que na verdade não é árabe, mas muçulmano, que Momô vai encontrar seu verdadeiro lar. Uma amizade que começa com a visita de Brigitte Bardot à mercearia de Ibrahim e desemboca em uma viagem de carro rumo à sua cidade natal. O livro é quase uma coleção de pérolas de sabedoria soltas por Ibrahim, baseadas na filosofia sufi, que acredita que a relação do homem com Deus deve ser direta e íntima e que a verdade é adquirida por êxtase mediante certas práticas.

Mesmo com pouquíssimas páginas, o autor consegue dar aos personagens Moisés e Ibrahim um desenho muito satisfatório, causando empatia no leitor que entende a simplicidade do livro. Muita coisa acontece, mas são as conversas entre os dois que dão um tom de beleza e humor à história, de tal maneira que a amizade, ou o amor, se sobressai de tal maneira que a religião aparece apenas nas entrelinhas.

“Seu amor por ela é seu. Pertence a você. Mesmo que o recuse, ela não pode modificar isso. Ela não o aproveitará, é só. O que você dá, Momô, é seu para sempre; o que você guarda, está perdido para sempre!”

Anúncios

Deixe um comentário e eu responderei aqui mesmo. Obrigada pela visita!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s