Milarepa [Trilogia do Invisível, parte 1] – Éric-Emmanuel Schmitt

O escritor francês Éric-Emmanuel Schmitt publicou alguns livros cujo tema principal são as grandes religiões do mundo e eles constituem uma série chamada Ciclo do Invisível, dos quais os três primeiros são conhecidos como a Trilogia do Invisível. Através de narrativas curtas, que remetem a fábulas ou mesmo a textos religiosos, o autor apresenta as religiões mediante histórias bem simples: Milarepa fala sobre o budismo tibetano; Seu Ibrahim e as Flores do Corão trata do islamismo místico e Oscar e a Senhora Rosa, do Cristianismo.

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Simon é um parisiense que sofre de um pesadelo recorrente: em um local montanhoso, estranho e lúgubre ele procura por um homem que odeia, a fim de matá-lo. Um dia ele encontra uma mulher misteriosa que afirma que ele é a encarnação de Svastika e o homem que odeia é Jetsün Milarepa, o grande iogue tibetano, que fora discípulo de Marpa Lotsawa. A única maneira de Simon se libertar é contar sua história com Milarepa centenas e centenas de vezes. Interessante perceber que, ao narrar tantas vezes a mesma história, Svastika ora conta tudo sob seu ponto de vista, ora toma o lugar de Milarepa, fazendo com que os dois se tornem um só, de certa forma.

Svastika era tio de Milarepa e quando o pai deste morre ele resolve ficar com toda a herança e tornar seu sobrinho um criado. Quando adulto, Milarepa resolve se vingar e, mais tarde, arrependido de ter praticado tantos atos ruins, procura o mestre Marpa para se tornar um discípulo e assim irá passar por muitas provas até se tornar um mestre também.

“Tinha percebido também que meu corpo é uma embarcação frágil: se o abarroto de crimes, ele naufraga; se alivio seu peso praticando o desapego, a generosidade, o altruísmo, ela me leva a um bom porto.”

As narrativas da trilogia parecem ter uma intenção de simplificar as ideias gerais de cada religião, e no caso de Milarepa se sobressaem o valor da meditação e a busca pela libertação dos desejos, que são a causa do sofrimento humano, segundo o budismo. É uma história que funciona como uma introdução ao credo e tem um apelo bem popular, o que é compreensível pela temática. Mas talvez por ser tão breve e tão simbólico Milarepa não dê conta de algo tão amplo, funcionando mais como parte do todo que é a trilogia do que como um livro com força própria.

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