Stoner – John Williams

interlunio18-stonerEm um ou outro ponto da vida temos a chance de nos perceber no mundo como realmente somos, ouvimos um chamado e descobrimos que é um caminho por onde queremos ir, um caminho sem chance para desvios, pois o sentido pode estar nele. Para William Stoner, que inicia essa história como um simples rapaz criado numa fazenda, com poucas chances de escolha, esse chamado se dá em uma aula de Literatura, quando tem oportunidade de ir à Universidade e descobre sua paixão pelo ensino de Letras. Sua vida se confunde então com o espaço da Universidade, onde pela primeira vez se sente em casa. É através dela que faz seus poucos amigos, que conhece o amor e que reconhece seus limites, pois nunca consegue se distanciar deste mundo.

Se por um lado Stoner é um homem que se deixa levar pelo destino, que tem dificuldade em tomar decisões e se entrega ao movimento da vida, por outro ele carrega uma força extrema diante dos problemas que surgem, tomando como certo o que ele é, um professor apaixonado pelo ensino e pelo conhecimento. Desde o início do livro sabemos que estamos diante da vida de alguém comum, que passa por um casamento, por uma modesta evolução acadêmica, o nascimento e crescimento de uma filha… mas ao longo da leitura percebemos como a vida de uma pessoa comum pode ser grandiosa e extraordinária quando a observamos com uma lente de aumento, quando acompanhamos seus passos, como se fossem os nossos. É a grandiosidade dos pequenos momentos da vida que experimentamos e geralmente guardamos para nós mesmos, por julgarmos ínfimos demais ou, e ao mesmo tempo, grandes demais para compartilhar.

John Williams é o que se pode chamar de um autor de prosa elegante, pois temos a sensação de cada frase ter sido extremamente pensada, ainda que estas frases sejam claras e cheias de emoção. Neste livro ele realiza um movimento de mostrar e esconder os pensamentos do personagem, para que aqui e ali possamos nos surpreender com o que irá acontecer, já que ele resume sua história nos primeiros parágrafos. Stoner é uma espécie de David Copperfield americano do século XX, atravessando momentos históricos importantes e se envolvendo em pequenas batalhas pessoais, vencendo a pobreza e a falta de jeito, descobrindo o amor depois de se perder um pouco no caminho e enfrentando inimigos da maneira que pode, com dignidade e justiça. Como o personagem de Dickens, Stoner tem uma vida dura e comete seus erros e é no amor que revela seu lado mais bonito.

“[o amor] como uma parte do devir humano, uma condição inventada e modificada momento a momento e dia após dia, pela vontade, pela inteligência e pelo coração.”

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Escolhi e recebi este livro como cortesia da editora parceira Rádio Londres.

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5 comentários sobre “Stoner – John Williams

  1. Ainda não vi / li ninguém que tenha desgostado desse livro. Conferi a sinopse e fiquei interessada com essa narrativa singela. Eu gosto de histórias simples, então provavelmente vou fazer parte do grupo dos que gostaram ^_^ Beijos, Lua!

    1. Lulu, esse livro é um mistério, pois é muito simples mas o personagem fica com você, sabe? Acho que as pessoas que não gostaram geralmente são as que foram com muito expectativa. Beijinho!

      1. Entendo! Lua, estou interessa em ler Stoner no futuro, mas algo nele não me faz criar nenhuma expectativa. Estou achando isso muito bom, pois tenho receio da tal expectativa, rs. Até logo! o/

  2. Lua, já li tantas resenhas boas sobre Stoner que desisti de escrever mais uma. Aí só listei 10 motivos para ler Stoner. A sua resenha está incrível! Eu também gostei muito da escrita do Williams. Ele passa muita emoção, mas usando uma linguagem aparentemente simples. Gosto de escritores acessíveis. E nem faria sentido contar a história de um homem comum hermeticamente, né?
    Eu gostei da vida pequena do Stoner e de sua complexidade enquanto personagem. O livro parece uma biografia de tão real que o Stoner é, de tão falível e humano que ele é.
    Só tirei uma estrela porque achei os dois arqui-inimigos dele muito extremados em seus comportamentos e gostaria de ter compreendido melhor suas razões. Talvez o charme esteja no mistério, mas eu fiquei incomodada com isso. Quando ele começou a descrever a mulher do Stoner mexendo em suas bonecas e em suas coisas da infância, achei que haveria algum desenvolvimento da personagem, mas fiquei frustrada quando vi que tudo ia ficar só nas entrelinhas.
    Beijo!

    1. Pois é, Eduarda, os inimigos dele são cruéis mesmo, mas de certa forma ele permitia algumas coisas, especialmente com a esposa. Você leu o posfácio? Uma coisa que concordo com o Cameron é que dava pra escrever um livro sobre a Edith Stoner. Acho que a ideia do autor era deixar tudo do ponto de vista do Stoner mesmo. Tanto que essa cena da Edith é uma coisa à parte, dividida apenas com o leitor. Assim como a gente às vezes não sabe o motivo de algumas pessoas na nossa vida fazerem isso ou aquilo, acho que o autor quis dar esse efeito. Beijinho!

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