Sherlock Holmes [Volumes 3, 7 e 9] – Arthur Conan Doyle

Ultimamente os livros da coleção Sherlock Holmes têm sido uma leitura de descanso, intercalada com as leituras oficiais, mesmo que eu já esteja um pouco cansada das aventuras do detetive, tão semelhantes entre si. Quando assistia à série House (que não é nada mais que uma adaptação livre do personagem Holmes, que por sua vez foi inspirado em um médico pra quem Conan Doyle trabalhou), eu tinha um sentimento parecido diante da estrutura repetitiva: uma cena do paciente da semana passando mal, depois o arrogante House relutando em pegar o caso no hospital – até que algo o convença de que se trata de um desafio à altura para sua inteligência –, uma primeira teoria que certamente será equivocada, e o momento de insight a partir de uma conversa com seu único amigo Watson, isto é, Wilson.

Os livros de contos com Holmes têm uma estrutura semelhante, mas enquanto na série havia um enredo paralelo envolvendo as relações (profissionais e afetivas) de House com os outros médicos do hospital, bem como um desenvolvimento profundo de seu personagem, nas histórias de Conan Doyle só podemos contar com poucas informações acerca do detetive, coisas como ter um irmão mais inteligente que ele, ou se entregar totalmente à cocaína quando está entediado. Em A Volta de Sherlock Holmes, aliás, o autor se preocupou ainda menos em desenvolver Holmes e Watson e se concentrou praticamente nos casos narrados.

O título já deixa claro que o livro é sobre o retorno de sua suposta morte, ocorrida em As Memórias de Sherlock Holmes. Os contos seguem a estrutura já consagrada: alguém chega aflito à sua casa, Holmes aceita o caso se for desafiador e Watson não serve muito como conselheiro, mas ajuda como testemunha, amigo e força bruta. A diferença para os livros anteriores de contos é que nesse há um esforço maior de Holmes em dividir seus pensamentos com Watson, o que dá ao leitor uma chance de raciocinar junto com ele e entrar no jogo de desvendar o mistério. Os meus preferidos foram A Casa Vazia, O Ciclista Solitário e Os Dançarinos.

Os romances também seguem um certo padrão do autor, não só na estrutura como na temática, mas além de guardarem maiores surpresas que os contos, tenho a sensação de que são mais bem escritos. É recorrente no cânone que haja histórias sobre um homem no final da vida cujo passado ressurge devido a um acerto de contas, geralmente por ter participado de uma sociedade secreta ou algo como um segredo de guerra ou crime cometido em outro país. O Signo dos Quatro é uma dessas histórias de acerto de contas, mas acredito que tenha sido a mais divertida que li até agora na coleção, pois o autor misturou muito bem aventura, ação, humor e romance. Apesar da narrativa iniciar melancólica, com Holmes tomado pelo vício em cocaína, o caso trazido pela bela Mary Morstan traz fôlego novo à vida dos dois amigos e apresenta cenas bem engraçadas, com ótimos diálogos entre eles.

Já em O Vale do Medo, que também é uma história de acerto de contas, Conan Doyle segue a mesma estrutura já usada em Um Estudo em Vermelho, de uma narrativa dentro da outra, mas aqui ela toma um aspecto de pulp-fiction, com direito a gângsters e romance, e foi baseada em fatos históricos ocorridos nos Estados Unidos entre 1862 e 1876. Como indicado na introdução do livro, é uma história muito bem montada, mas que por ter sido imitada tantas vezes no cinema e em outros livros, acaba não sendo tão desafiadora para o leitor moderno. Ainda assim gostei da história, especialmente do personagem McMurdo.

Agora só restam 3 volumes da coleção, mas por enquanto lerei apenas O Cão dos Baskervilles, que deixei pra encarar por último por ser considerado o melhor romance do cânone. Vamos ver se este me empolga novamente e eu acabe querendo ler os últimos volumes ainda esse ano.

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14 comentários sobre “Sherlock Holmes [Volumes 3, 7 e 9] – Arthur Conan Doyle

  1. Oi, Lua! Mais uma vez você arrasando nos textos. Nunca li um Arthur Conan Doyle! Vi apenas filmes com o detetive famoso. Um dia eu tiro pra ler alguma aventura dele.
    Sim, eu vi os marcadores no blog de Camila. Super bonitos, viu?
    Grande beijo e parabéns!

    1. Oi, Sandro! Que bom que você gostou. Eu também nunca havia lido até esse ano, mas são tantas referências a Holmes que a gente pensa até que já leu.
      Você viu? Só não enviei pra você também porque achei que ficaram muito femininos, rs. Beijos e obrigada! =)

      1. Ha, que pena! Olha, não acredito nessa distinção de gêneros quando o assunto é marcadores de livros! rsrsrs. Aliás, não acredito muito nas diferenças entre gêneros, apenas nas diferenças biológicas, anatômicas, por aí. Mas de qualquer forma obrigado por quase ter mandado..rsrs. Grande beijo!!!!!!!!

        1. Você tem razão, Sandro! rs Na verdade achei que você acharia femininos, essa é a verdade, rs.
          Mas ainda tenho aqui vários, me manda seu endereço por e-mail que os envio pra ti com muito prazer! =)
          Beijo!!!

          1. Hahahaha, imagina, Sandro! Eu fiquei feliz que você gostou dos marcadores, vou te enviar sim! =)

  2. Lua, O Cão dos Baskervilles foi o único que eu li, mas sinceramente não lembro se era uma adaptação para adolescente ou o original. Ultimamente ando lendo a coleção Millenium também para distrair, mas o problema é que me distraio demais e deixo de ler as coisas sérias hehehe Ótima resenha, como sempre!
    Beijos
    Tati

    1. Oi, Tati! Pois é, mas geralmente eu leio as distrações em momentos que eu não leria as coisas sérias de qualquer maneira, rs.
      A Coleção Millenium eu nunca li porque assisti aos 3 filmes antes e recentemente vi o primeiro americano. Agora não tenho a menor disposição pra encarar a história de novo! Beijinho!!! =)

  3. Lua,
    eu achei ótima a sua resenha tb; aliás você escreve muito bem!
    Ri na parte do House pq eu AMAVA o House e, apesar de ouvir essa alusão à semelhança com o Holmes, eu nunca achei assim tão parecido pelo lado das características do personagem. (Mas minhas leituras de Holmes são de adolescência, nem vou dizer quanto tempo que está brabo; kkkk).
    Achei muito bonita essa edição/coleção; a sua é a mesma que está a venda na Submarino?
    Pensei em comprar para minha filha; mas estou achando muito caro, rs.
    Aqui em casa só tenho um pequeno do Doyle da L&PM – melhores histórias.
    Beijos!

    1. Obrigada, Mercedes!
      Eu assisti a quase todas as temporadas de House e desisti porque cansei da repetição, mas algumas temporadas foram perfeitas, muito bem amarradas. Na época em que comecei a ver a série a primeira coisa que pensei foi que o House era uma espécie de Sherlock, mas como eu nunca tinha lido nada (só conhecia o personagem por filmes e outras referências), não tinha muita certeza. Pelo que já li, o próprio criador da série confessa ter se inspirado e depois que li os livros posso dizer que há bastante coisa em comum entre os dois personagens, principalmente, é claro, a grande capacidade de dedução e extrema arrogância, rs.
      Essa coleção da Zahar é realmente cara, tanto que fui comprando os volumes aos poucos e no meu aniversário ganhei alguns, rs. Ainda faltam 2 volumes, estou esperando que apareça uma promoção. Se você for comprar, tem cuidado em observar se não é a versão em capa dura, porque eles lançaram a primeira parte da coleção nos dois formatos e algumas pessoas acabaram ficando com versões diferentes. O submarino está vendendo as duas partes da coleção separada, o box de contos e o box de romances, não é isso? Observa apenas se são todos em brochura.
      Beijos, querida! =)

  4. Lua, nunca li nada do Holmes, até porque meus laços com literatura “detetivesca” ainda não passaram de Poe (que eu amo!), mas foi interessante saber da inspiração literária para House.

    Pelo que vi, você está colecionando os volumes. Começar coleções sempre me deixa ansiosa para completá-las (ainda que eu vá demorar na leitura)! ^^”

    1. Oi, Jéssica! Pois é, faltam apenas 2 pra completar, mas estou esperando ficar um pouco mais barato, essa coleção é muito cara.
      Poe é realmente maravilhoso! =) Beijos!

  5. Demais a sua análise comparativa House e Holmes! 🙂 O próprio produtor da série confessou vir dai a inspiração, e apesar de eu gostar muito do humor sarcástico do Dr. House, os episódios são de fato repetitivos em termos de estrutura.

    Quanto aos livros do Conan Doyle, forgive me, mas até hoje não li nenhum! E não foi por falta de oportunidade porque encontro livrinhos dele em book machines das estações de metrô por 2,00; mas por falta de tempo e espaço na estante mesmo. Porém, sempre digo que cada leitura tem o seu momento certo, não sei quando, mas um dia com certeza lerei toda a saga do detetive.

    Mais uma vez me surpreendo com um texto teu Lua, meus sinceros parabéns!

    Inclui teu link na página do Dose, porque blogs como o seu faço questão de compartilhar! 😉 http://www.doseliteraria.com.br/p/links.html

    Beijão, até a próxima. :-*

    1. Puxa, Eni, obrigada pelos seus elogios, fico muito feliz, de verdade!
      Eu também não tinha lido nada de Sherlock até então, mas imaginei que se um dia eu tivesse um filho seria uma boa coleção pra ter em casa. =)
      É uma honra participar da sua lista de blogs, Eni! Muito obrigada, também estou adorando acompanhar o seu!
      Beijos!!! =)

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